19/01/26

                                                                 Eugénio de Andrade por Dordio Gomes

O SILÊNCIO

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada.

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora.

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade, Obscuro Domínio. Porto, Editorial Inova, 1971, p. 97

1 comentário:

  1. Obrigada por se lembrar do Eugénio e pela escolha do desenho e do poema.
    Tenho cá algumas gravuras (na caixa Sete Livros, Sete Retratos), mas não este.
    Um abraço grato🐈‍⬛

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