Althusser, Louis - O Futuro é muito Tempo - seguido de Os Factos - Porto, Edições Asa, 1992. Edição organizada e apresentada por Olivier Corpet e Yann Moulier Boutang. Tradução de Miguel Serras Pereira. In-8.º; de 379-II págs.
Enc. € 15,00
1.ª Edição.
Colecção «Clepsidra. Retratos & Memórias».
Exemplar estimado. Conserva a sobrecapa.
"A 16 de Novembro de 1980, o mundo estremeceu: Louis Althusser, o célebre filósofo marxista, o mestre incontestado de toda uma geração de intelectuais e activistas políticos, estrangulara a sua própria mulher Hélène, atacado de uma crise de demência. Não houve processo, nem condenação: considerado inimputável, encerrado num hospício psiquiátrico, abateu-se sobre ele uma pesada cortina de silêncio. Entretanto, com a crise do marxismo, os seus livros, que tinham sido verdadeiros breviários, transformaram-se em peças de museu. Quando Althusser morreu, em Outubro de 1990, já há muito tinha morrido na memória das gentes e do tempo. Só que então se descobre que durante esses dez anos, Althusser não cessara de reflectir, de pensar, de escrever. E que no meio do seu espólio, dactilografado por ele, pronto para publicação, havia um documento trágico e extraordinário em que o filósofo, como que respondendo no processo que não teve, explicara o seu crime e mergulhara nas raízes mais fundas da sua demência: este O Futuro é Muito Tempo.
É esta extraordinária e dramática confissão póstuma de Althusser - a que se junta na presente edição um ouro esboço autobiográfico inédito - Os Factos, redigido em 1976".