há 100 anos - I
Soneto de Gelo
Ingénuo sonhador - as crenças d'oiro
Não as vás derruir, deixa o destino
Levar-te no teu berço de bambino,
Poque podes perder esse tesoiro.
Tens na crença um Farol. Nem o procuras,
Mas bem o vês luzir sobre o infinito!...
E o homem que pensou, - foi um precito,
Buscando a luz em vão - sempre às escuras.
Eu mesmo quero a fé, e não a tenho...
- Um resto de batel - quisera um lenho,
Para não afundir na treva imensa,
O Deus, o mesmo Deus que te fez crente...
Nem saibas que esse Deus omnipotente
Foi quem arrebatou a minha crença.
Camilo Pessanha, Clepsydra. Lisboa, Assírio & Alvim, 2003, pp. 94-95.

















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