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10/06/22
Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades Portuguesas
Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavalleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora d'ele maltratado;
E tinha já por firme pressupposto
Ser com amores mal afortunado;
Porem não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança;
Quiz aqui sua ventura, que corria
Após Ephyre, exemplo de belleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cançado correndo lhe dizia:
Ó formosura indigna de aspereza,
Pois d'esta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.
Manhoso, cavalleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora d'ele maltratado;
E tinha já por firme pressupposto
Ser com amores mal afortunado;
Porem não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança;
Quiz aqui sua ventura, que corria
Após Ephyre, exemplo de belleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cançado correndo lhe dizia:
Ó formosura indigna de aspereza,
Pois d'esta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.
Luís de Camões, Os Lusíadas, Leipzig, 1880, Canto IX, p. 316.
10/06/21
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
A Ditosa Pátria
Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.
Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
A Ditosa Pátria
Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.
Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
[III, 20-21 (1-4)]
Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões. Antologia e Prefácio de Eugénio de Andrade, Editorial Inova, 1972, p. 124
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10 de Junho,
Dia de Portugal,
Luís Vaz de Camões (1524-1580)
10/06/16
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Andries Pauwels: Busto de Camões, século XVII.
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
Luís de Camões
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