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10/06/26

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
na Livraria Lumière


10/06/22

Dia de Portugal, de Camões e das 
 Comunidades Portuguesas
    
















(...) 
Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavalleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora d'ele maltratado;
E tinha já por firme pressupposto
Ser com amores mal afortunado;
Porem não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança;

Quiz aqui sua ventura, que corria
Após Ephyre, exemplo de belleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cançado correndo lhe dizia:
Ó formosura indigna de aspereza,
Pois d'esta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Leipzig, 1880, Canto IX, p. 316.

10/06/21

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


 A Ditosa Pátria

Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.

Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.


                                                       [III, 20-21 (1-4)]

Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões. Antologia e Prefácio de Eugénio de Andrade, Editorial Inova, 1972, p. 124

10/06/16

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 

Andries Pauwels: Busto de Camões, século XVII. 

 Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

                        Luís de Camões