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10/03/22

Areal, Maria José Carvalho - No Chão do Caminho - contos. S/l, Edição da Autora, 2022. Prefácio de Cláudia Ribeiro. 
De 21,5x14 cm.; com 123-II págs.
Br. € 10,00

Novidade.

No Chão do Caminho, bem que podia ser um diário. O seu diário II, em que vai partilhando com os leitores, como foi tomando consciência das desigualdades existentes em redor. Como ganhou forças e se libertou das amarras e descalçou as botas pesadas que lhe haviam colocado nos pés, ganhou asas e voou.
No Chão do Caminho, é mais um magnífico exemplo da sua sensibilidade e capacidade de observar e interpretar o mundo que a rodeia, E, do olhar lúcido e rigoroso que tem de si e dos outros. (do Prefácio) 

31/12/19

Convidem-me para dançar

Já todos falam e badalam que o fim do ano está por aí. E quase todos nós, só por respeito não adiantamos os relógios e engolimos algumas horas. Se pudéssemos, subtraíamos alguns dias, para que a festa acontecesse mais depressa.
E, de pressa em pressa, vamos experimentando o vestido de lantejoulas, decotado, cingido, comprado na loja da esquina e por nós bajulado faz algum tempo. Depois é compor o cabelo (quase sempre nos fica pouco bem), usar uns brincos a condizer e não esquecer os sapatos de Cinderela.
Assim, a preceito, damos o braço e com jeito entramos no espaço onde a "nossa" mesa nos espera, enfeitada como nós. Os amigos vão chegando e... venha mais vinho, venha mais comida. O estômago enche, a face ganha mais cor e, que bom é bailar. 
Mas o espaço é parco para tanta vontade de mexer o pé! A música entoa o hino de repúdio ao ano que termina, abençoando o ano que vai entrar.
E dentro do vestido de lantejoulas, decotado e cingido, sentimos o corpo reclamar por uma fresta, uma simples nesga, por onde possa entrar uma lufada de ar. Os pés abandonam os sapatos de Cinderela. E o cabelo em desalinho, nasce uma enorme vontade de zarpar para outro lugar. ver as estrelas, falar com a lua, simplesmente saber do nosso desajuste naquele lugar.
Afinal, já passou! Os foguetes estoiraram no ar. O Ano Novo, que logo será velho, chegou calmo e serenamente. Nós quase o assustámos.
Não tenho vestido preto de lantejoulas, decotado, cingido. Não sei festejar a perda de nada, nem de ninguém. Não sei aplaudir quem não conheço e não gosto de foguetes a estoirar. Convidem-me para dançar.

Maria José Carvalho Areal, in Barras da Minha Saia, 2019, p. 295 e 296.

25/10/19

 
Areal, Maria José Carvalho - Barras da Minha Saia - quase um diário I. S/l, Edição do Autor, 2019. In-8.º; de 299-VIII págs. Ilustração da capa: Henrique do Vale.
Br. € 15,00

Novidade.

"Barras da Minha Saia assume ser uma ousadia de mim. Criado ao longo de um ano (2018), acaba por ser uma espécie diário, onde me estatelo em cada dia sem peias, pudores e outras inibições de maior monta." (MJCA)

21/03/18

                                                                                                                                                         (da net)
Ser Poeta

De que serve o teu canto, poeta
Se ninguém te escuta?
De que serve o teu grito, poeta
Quando se esbarra na rocha granítica
Muro erguido pelos homens teus irmãos?
Chora, poeta, chora
E verás a terra empapada das tuas lágrimas
Onde só tu humedeces os pés.

                              Maria José Carvalho Areal

27/11/17

Areal, Maria José Carvalho - Assim me deito, assim me levanto - poesia. 
Valença, Edição do Autor, 2017. In-8.º; de 204 págs. Desenho da capa da autoria de Henrique do Vale.
Br. € 12,00

Novidade.


Mulher

Escrevo aquilo que penso, 
O que sinto,
O que de mim sei
Nos outros, nas coisas, 
Em ti.
Quem poderá tecer e urdir
Conjecturas nesta avaliação de mim?
Quem ousará criticar o que construo
Quando recostados saboreiam a ausência de si?
Detalhadamente destilo e enjeito 
Esse vendaval de maledicência enquistada
Como sobrecasaca de um desamor latente, cicante
Que vai arrumando a um canto a essência do ser.
Habituei-me na leitura de mim, como terreno bravio
Onde cada poro me impele na descoberta
Desta singular narrativa.
Às vezes sou folha em branco, lisa, sem leiras
Sem memórias nem arquivos, 
Há dias que acordo luxuosamente inundada
De palavras, riscos e arabescos, sons e cores.
Numa tentativa aliciante descubro as histórias
As personagens, lugares e emoções,
Acreditando na construção de mim
Como um templo lavrado, talhado,
Gotejado de emoções. 

(p. 75)

13/12/16


Areal, Maria José Carvalho - Carro Vermelho - conto de Natal. Lisboa, Chiado Editora, 2016. 
In-8.º; de 106-II págs. Capa: Pedro Teixeira.
Br. € 10,00

NOVO.
 
O livro Carro Vermelho de Maria José Carvalho Areal, é muito mais do que um simples conto de Natal. É um olhar sempre atento ao outro, é um hino à bondade, ao humanismo e à amizade!
Traduz uma maneira de ser e estar na vida; que é o retrato fiel  da maneira de ser e de estar da sua autora.

10/05/16



Areal, Maria José Carvalho - Rendas do meu Decote - contos. Lisboa, Chiado editora, 2016. Prefácio de Cláudia Ribeiro. In-8.º; de 207-V págs. Capa: Isabel Lima.
Br. € 10,00

1.ª Edição.

Exemplar estimado.

"Rendas do meu Decote, empresta o nome a um conjunto de narrativas na primeira pessoa, anunciando tempos, espaços, terras, cantos e esquinas da vida e na vida das gentes, que sobem ao palco das minhas memórias...".

21/03/15


Areal, Maria José Carvalho - Há dias que não sei de mim e outros que pouco de mim sei - poesia. Lisboa, Chiado Editora, 2015. Introdução de Isabel Lima. Capa: desenho a óleo de Célia Rebelo Silva. In-8.º; de 222-II págs.
Br. € 12,00

1.ª Edição.

Exemplar muito estimado.
Colecção «Prazeres Poéticos»

"Em Há dias que não sei de mim e outros que pouco de mim sei, a sua poesia centra-se no eu e na relação com o corpo, as memórias, a identidade, os tempos do tempo, o outro, o dia e a noite e com a força telúrica do envolvente, a água e a terra!
Maria José remete-nos para os múltiplos eus que habitam o ser, confronta-nos com memórias que aprisionam, devoram, que cruzam outras memórias e remetem para a vida e suas encruzilhadas." (Isabel Lima)

18/03/15

A não perder...




A escritora Maria José Carvalho Areal
vai apresentar o seu novo livro 
Há Dias que Não sei de Mim e Outros que Pouco de Mim Sei
no próximo domingo, dia 22, pelas 15 horas.
O evento terá lugar no Auditório do Hotel do Minho.

21/03/14

ESPERAR

Aqui estou
Com vontade de partir
ou de chegar
A qualquer lugar,
Onde o céu estivesse azul,
O vento soprasse
E nas nuvens chegasse
Alguém para me abraçar.

Mas, antevejo
Que os dias vão correr
Como areia fina por entre meus dedos.
E sem saber o que fazer
Sinto a alma a padecer
e o meu corpo reclama
A legitimidade de um abraço
Longo e prolongado,
Terno e manso
Como se de um tónico se tratasse

Vou esperar,
Que o Dia nasça,
Que o Sol aqueça
E aguardar ou mesmo amarfanhar
Esta vontade que me devora
Mesmo que aconteça
Numa noite de luar.

Maria José Carvalho Areal in Pedaços de Mim, 1999

29/01/14

Areal, Maria José Carvalho - Na Eira dos Pardais - contos. Lisboa, Chiado Editores, 2013. Revisão da autora. In-8.º; de 109-V págs. Enriquecido com fotografias de António Garrido e José Ferreira. Br. € 10,00

Na eira dos pardais é uma obra em que a mulher e o rio assumem o fio condutor das narrativas/memórias, levando-nos por caminhos, carreiros e veredas, no encontro da floresta da vida. Escutar os sons abertos, agachados, longínquos; saber dos gostos e das emoções que nos foram sendo outorgados; usufruir dos sabores a sal e a mel nos voos alados e entrecortados; aceitar as perdas e as alforrias e de mais demandas, estabelece, imputa e arrasta-nos para um ato, intencionalmente provocatório, na tomada de consciência de cada um de nós. Neste caminhar nunca sentiremos pressa de chegar. Não há um fim à vista, mas um advento de um tempo que se quer regenerado na continuidade da própria vida.

Maria José Peixoto de Carvalho Areal nasceu em Cristelo Covo, Valença do Minho, em 1951. Estudou nas universidades do Porto, Braga e Santiago de Compostela e foi docente. As suas obras de poesia incluem Pedaços de mim (1999), À deriva (2004) e Sabor a sal e a mel (2006). Foi coordenadora e coautora dos Vol. I e II de Pedaços de Memórias – Itinerários no tempo e no Espaço – Narrativas (2009-10) e prestou voluntariado em diversas organizações. A poesia e a dança são o seu patamar de voo no amarro da vida. (daqui)