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21/03/15

Encontro
                                            a Carlos Queiroz
Que vens contar-me
se não sei ouvir senão o silêncio?
Estou parado no mundo.
Só sei escutar de longe
antigamente ou lá para o futuro.
É bem certo que existo:
chegou-me a vez de escutar. 


Que queres que te diga
se não sei nada e desaprendo?
A minha paz é ignorar.
Aprendo a não saber:
que a ciência aprenda comigo
já que não soube ensinar. 

O meu alimento é o silêncio do mundo
que fica no alto das montanhas    
e não desce à cidade
e sobe às nuvens que andam à procura de forma
antes de desaparecer.

Para que queres que te apareça
se me agrada não ter horas a toda a hora?
A preguiça do céu entrou comigo
e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.
 
Para que me lastimas
se este é o meu auge?!
Eu tive a dita de me terem roubado tudo
menos a minha torre de marfim.
Jamais os invasores levaram consigo as nossas torres de marfim.
 
Levaram-me o orgulho todo
deixaram-me a memória envenenada
e intacta a torre de marfim.
Só não sei que faça da porta da torre
que dá para donde vim. 

                                              Almada Negreiros

06/07/13

Ernesto de Sousa


Sousa, Ernesto de - Re Começar: Almada em Madrid - Porto, INCM, 1983. In-8.º; de 111-IV págs. Ilustrado a 
p. b. e a cores. Br. € 15,00

Colecção «Arte e Artistas».

Capa de brochura manchada, mas miolo estimado.

"Com mais de sessenta ilustrações e cerca de cinquenta páginas de texto, o autor deste ensaio procura situar a pintura de Almada Negreiros entre 1927 e 1932, período em que viveu e trabalhou em Madrid. Ponto fulcral deste estudo é a inventariação dos baixos-relevos que o artista português executou para o cinema San Carlos...".

07/04/13

Almada Negreiros (1893-1870)

Comemoram-se hoje, 120 anos que nasceu Almada Negreiros



 













 


A SOMBRA SOU EU
A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei dó que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e que não me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim! 

















 

15/06/12

Almada Negreiros (1893-1970)






José de Almada Negreiros 
morreu em Lisboa  a 
15 de Junho de 1970.






Artista plástico, escultor, escritor, fundador da revista 
Orpheu, autor de Nome de Guerra e do 
Manifesto Anti-Dantas.