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25/04/24

25 de Abril (3)

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello B. Andresen, O Nome das Coisas, 1977, p. 28.

                                               verso                                            reverso

Com um agradecimento a M.R. - Prosimetron

27/10/20


 


Andresen, Sophia de Mello Breyner – 11 Poemas – Lisboa, Editora Movimento, 1971. De 17,5x12,5 cm.; com 28-III págs 
Br. € 20,00 

Inserido na colecção «Movimento/Poesia». 

Exemplar estimado.

06/11/19

Sophia de Mello Breyner (1919-2004)


Sophia de Mello Breyner
No Centenário do seu Nascimento


MAR



I

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.



II

Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a primavera enche de perfumes
mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética I, Lisboa, Editorial Caminho, 
2001, p. 18

Sophia e as esferográficas...

Lisboa, Janeiro de 1960

Querido Jorge

 (...)

"Desculpe uma carta tão desordenada. Estou-lhe a escrever com duas esferográficas estragadas e num papel que esborrata tudo.
Apetecia-me recomeçar esta carta de novo porque está com péssimo aspecto gráfico."

in Sophia de Mello Breyner - Jorge de Sena: Correspondência (1959-1978), p. 34

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Antologia, Lisboa, Portugália Editora, 1968, p. 157

02/11/19

A Livraria Lumière associa-se às comemorações do
Centenário do Nascimento de Sophia de Melo Breyner e Jorge de Sena
 
 
 

21/03/16

Dia Mundial da Poesia


Paisagem 
Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era fundo e amargo,
E ao longe as cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das árvores elástica e dura,
Eram as gotas de sangue da resina
E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os caminhos num ir lento,
Eram as mãos profundas do vento
Era o livre e luminoso chamamento
Da asa dos espaços fugitiva.

Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor de cada coisa,
A sua quietude, secretamente viva,
E a sua exalação afirmativa.

Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se quebra, sobe,
Era o regresso sem fim e a claridade
Das praias onde a direito o vento corre.

Sophia de Mello Breyner, Daqui Houve Nome Portugal. Porto, Inova, 1968, p. 217 

02/07/14

As pessoas sensíveis


 As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão.»

Ó vendilhões do templo
Ó constructores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem. 
Sophia de Mello Breyner Andresen, Antologia, Lisboa, Moraes Editores, 1970, p. 195

15/03/14


O Poema                                                                                                                    cortesia do google
O poema me levará no tempo                                                            
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen in Obra poética I, Círculo de Leitores, 1992, p. 358 

15/11/13




Andresen, Sophia de Mello Breyner – Dia do Mar – Poemas. Segunda edição. Lisboa, Edições Ática, 1961. In-8.º; de 95-I págs. Brochado € 50,00


Colecção «Poesia», dirigida por Luiz de Montalvor.

Trata-se do segundo livro de poemas da autora.

07/11/12

Sophia de Mello Breyner Andresen

Novidade 



http://blogues.publico.pt/letrapequena/files/2012/10/CiganosPortoEditora.jpg


"Os Ciganos é um conto inédito de Sophia de Mello Breyner Andresen localizado no seu espólio na primavera de 2009.
Este conto encontrava-se inacabado, tendo Pedro Sousa Tavares, jornalista e neto da escritora, assumido a responsabilidade de continuar uma história sobre o irresistível apelo da liberdade, sobre a atração pelo que está fora dos muros e pela descoberta do outro e suas diferenças".

06/11/12

Sophia de Mello Breyner nasceu há 93 anos


Fotografia de Sophia de Mello Breyner Andresen


 Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar, in Obra Poética I, Caminho, p. 84.


Escuto

Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou Deus

Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta 
Que nos confins do universo 
Me decifra e fita 

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido 
E por isso em cada gesto ponho 
Solenidade e risco