O NASCIMENTO
Depois de longa mas feliz jornada,o menino repousa no seu ninho
feito de sonhos e lençóis de linho,
e agora em toda a casa é madrugada...
Sobre as penas macias da almofada,
respira devagar, devagarinho,
como pássaro exausto do caminho...
e a mãe olha o milagre e não diz nada.
Que pode ela dizer? Deus é que fala
no seu olhar cansado, quando embala
o menino de rosas e jasmins...
Mas nesse gesto, nesse olhar profundo,
demasiado grande para o mundo,
há céus, estrelas, fontes e jardins.
Fernanda de Castro
in A Mãe na Poesia Portuguesa, Lisboa, Público, 2006, p. 240.
Para a Isabel