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25/10/19

 
Areal, Maria José Carvalho - Barras da Minha Saia - quase um diário I. S/l, Edição do Autor, 2019. In-8.º; de 299-VIII págs. Ilustração da capa: Henrique do Vale.
Br. € 15,00

Novidade.

"Barras da Minha Saia assume ser uma ousadia de mim. Criado ao longo de um ano (2018), acaba por ser uma espécie diário, onde me estatelo em cada dia sem peias, pudores e outras inibições de maior monta." (MJCA)

21/03/18

                                                                                                                                                         (da net)
Ser Poeta

De que serve o teu canto, poeta
Se ninguém te escuta?
De que serve o teu grito, poeta
Quando se esbarra na rocha granítica
Muro erguido pelos homens teus irmãos?
Chora, poeta, chora
E verás a terra empapada das tuas lágrimas
Onde só tu humedeces os pés.

                              Maria José Carvalho Areal

27/11/17

Areal, Maria José Carvalho - Assim me deito, assim me levanto - poesia. 
Valença, Edição do Autor, 2017. In-8.º; de 204 págs. Desenho da capa da autoria de Henrique do Vale.
Br. € 12,00

Novidade.


Mulher

Escrevo aquilo que penso, 
O que sinto,
O que de mim sei
Nos outros, nas coisas, 
Em ti.
Quem poderá tecer e urdir
Conjecturas nesta avaliação de mim?
Quem ousará criticar o que construo
Quando recostados saboreiam a ausência de si?
Detalhadamente destilo e enjeito 
Esse vendaval de maledicência enquistada
Como sobrecasaca de um desamor latente, cicante
Que vai arrumando a um canto a essência do ser.
Habituei-me na leitura de mim, como terreno bravio
Onde cada poro me impele na descoberta
Desta singular narrativa.
Às vezes sou folha em branco, lisa, sem leiras
Sem memórias nem arquivos, 
Há dias que acordo luxuosamente inundada
De palavras, riscos e arabescos, sons e cores.
Numa tentativa aliciante descubro as histórias
As personagens, lugares e emoções,
Acreditando na construção de mim
Como um templo lavrado, talhado,
Gotejado de emoções. 

(p. 75)

13/12/16


Areal, Maria José Carvalho - Carro Vermelho - conto de Natal. Lisboa, Chiado Editora, 2016. 
In-8.º; de 106-II págs. Capa: Pedro Teixeira.
Br. € 10,00

NOVO.
 
O livro Carro Vermelho de Maria José Carvalho Areal, é muito mais do que um simples conto de Natal. É um olhar sempre atento ao outro, é um hino à bondade, ao humanismo e à amizade!
Traduz uma maneira de ser e estar na vida; que é o retrato fiel  da maneira de ser e de estar da sua autora.

10/05/16



Areal, Maria José Carvalho - Rendas do meu Decote - contos. Lisboa, Chiado editora, 2016. Prefácio de Cláudia Ribeiro. In-8.º; de 207-V págs. Capa: Isabel Lima.
Br. € 10,00

1.ª Edição.

Exemplar estimado.

"Rendas do meu Decote, empresta o nome a um conjunto de narrativas na primeira pessoa, anunciando tempos, espaços, terras, cantos e esquinas da vida e na vida das gentes, que sobem ao palco das minhas memórias...".

21/03/15


Areal, Maria José Carvalho - Há dias que não sei de mim e outros que pouco de mim sei - poesia. Lisboa, Chiado Editora, 2015. Introdução de Isabel Lima. Capa: desenho a óleo de Célia Rebelo Silva. In-8.º; de 222-II págs.
Br. € 12,00

1.ª Edição.

Exemplar muito estimado.
Colecção «Prazeres Poéticos»

"Em Há dias que não sei de mim e outros que pouco de mim sei, a sua poesia centra-se no eu e na relação com o corpo, as memórias, a identidade, os tempos do tempo, o outro, o dia e a noite e com a força telúrica do envolvente, a água e a terra!
Maria José remete-nos para os múltiplos eus que habitam o ser, confronta-nos com memórias que aprisionam, devoram, que cruzam outras memórias e remetem para a vida e suas encruzilhadas." (Isabel Lima)

Dia Mundial da Poesia


As palavras que digo
 
Escancaro a entrada do dia
Como se fosse sempre o primeiro
Da minha madrugada.
Ofereço-me por inteiro
Sem reservas esfumadas,
Sem frisos gradeados,
Nem temores e por amor
Me entrego às palavras
Que desenho, que escrevo, que sinto.
E porque as sinto vivas,
Latejantes,
Destemidas,
Vo-las digo do alto deste monte,
Do sopé desta colina
Para que sejam livres
E possam ser definitivamente, vossas.

                                      Maria José Areal

18/03/15

A não perder...




A escritora Maria José Carvalho Areal
vai apresentar o seu novo livro 
Há Dias que Não sei de Mim e Outros que Pouco de Mim Sei
no próximo domingo, dia 22, pelas 15 horas.
O evento terá lugar no Auditório do Hotel do Minho.

21/03/14

ESPERAR

Aqui estou
Com vontade de partir
ou de chegar
A qualquer lugar,
Onde o céu estivesse azul,
O vento soprasse
E nas nuvens chegasse
Alguém para me abraçar.

Mas, antevejo
Que os dias vão correr
Como areia fina por entre meus dedos.
E sem saber o que fazer
Sinto a alma a padecer
e o meu corpo reclama
A legitimidade de um abraço
Longo e prolongado,
Terno e manso
Como se de um tónico se tratasse

Vou esperar,
Que o Dia nasça,
Que o Sol aqueça
E aguardar ou mesmo amarfanhar
Esta vontade que me devora
Mesmo que aconteça
Numa noite de luar.

Maria José Carvalho Areal in Pedaços de Mim, 1999

05/03/14

ENCONTRO

Hoje o sol apareceu
Tímido, talvez mesmo envergonhado
De tantas vezes prometer aparecer
E de outras tantas ter faltado.
O céu não está azul.
Nuvens brancas e cinzentas
Bailam por cima de mim
Como que jogando às escondidas
Comigo, contigo, com o sol…
As brancas lembram algodão doce
Em dia de romaria
Na boca das crianças.
As cinzentas são pedaços
De vidas repartidas,
De sonhos nunca sonhados,
Ou talvez de almas perdidas
À procura de um afago.
Mas o sol abraça-me de frente
Num abraço bem apertado,
Que nem as nuvens brancas ou cinzentas
Conseguem empobrecer
Este encontro tão desejado.


Hoje o sol apareceu
Tímido, talvez envergonhado. 


Maria José Areal in Pedaços de Mim,1999

01/03/14

Se eu fosse...

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Poisaria na torre mais alta
Para te ver despertar.
E num rodopiar
Suave, terno e manso
Te diria:
- Acorda, que já é dia!
Vem ver o sol a nascer
E as crianças a correr.

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Poisaria em ti criança
Para te ver despertar
E com bicadinhas de ternura
Te diria:
- Salta da cama,
Abre a janela de par em par, 

Pula escada fora
E vai para a rua brincar!

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Poisaria em ti velhinho
Quando estás a ver passar.
E com largo abraço
Te diria:
- Olha este azul do céu
Esta imensidão do mar
Que foi sempre o teu olhar.
O dia não escureceu, 
Agarra-te bem à vida
Que este dia ainda é teu.


 Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Estaria sempre conTigo
Aqui ou em qualquer lugar.


Maria José Areal in Pedaços de Mim,1999

 

29/01/14

Areal, Maria José Carvalho - Na Eira dos Pardais - contos. Lisboa, Chiado Editores, 2013. Revisão da autora. In-8.º; de 109-V págs. Enriquecido com fotografias de António Garrido e José Ferreira. Br. € 10,00

Na eira dos pardais é uma obra em que a mulher e o rio assumem o fio condutor das narrativas/memórias, levando-nos por caminhos, carreiros e veredas, no encontro da floresta da vida. Escutar os sons abertos, agachados, longínquos; saber dos gostos e das emoções que nos foram sendo outorgados; usufruir dos sabores a sal e a mel nos voos alados e entrecortados; aceitar as perdas e as alforrias e de mais demandas, estabelece, imputa e arrasta-nos para um ato, intencionalmente provocatório, na tomada de consciência de cada um de nós. Neste caminhar nunca sentiremos pressa de chegar. Não há um fim à vista, mas um advento de um tempo que se quer regenerado na continuidade da própria vida.

Maria José Peixoto de Carvalho Areal nasceu em Cristelo Covo, Valença do Minho, em 1951. Estudou nas universidades do Porto, Braga e Santiago de Compostela e foi docente. As suas obras de poesia incluem Pedaços de mim (1999), À deriva (2004) e Sabor a sal e a mel (2006). Foi coordenadora e coautora dos Vol. I e II de Pedaços de Memórias – Itinerários no tempo e no Espaço – Narrativas (2009-10) e prestou voluntariado em diversas organizações. A poesia e a dança são o seu patamar de voo no amarro da vida. (daqui)

25/01/14

Os olhos das crianças

Os olhos das crianças
Sabem da cor do céu,
Do voo das gaivotas,
Do tojo e da urze dos montes.
Os olhos das crianças
Olham-nos bem por dentro
Dizem palavras de luz,
E contam-nos os segredos
No encantamento.
Os olhos das crianças 
Dizem coisas,
Sabem coisas
Mesmo que pareçam distraídos.
Os olhos das crianças
São a vida a acontecer
No fio da luz,
Na crista da onda,
Na palavra solta
Que vai até ti.
Os olhos das crianças
Sabem da cor do céu,
Olham-nos bem por dentro,
Dizem palavras de luz.

Maria José Areal, Na Eira dos Pardais, Chiado Editora, 2013, p. 91