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21/12/19

Natal

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre, in Natal... Natais - Oito séculos de Poesia sobre o Natal (p. 330 e 331)

16/03/18




Alegre, Manuel - 30 Anos de Poesia - 2.ª edição aumentada. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997. Prefácio de Eduardo lourenço. In-8.º; de 744 págs. 
Br. € 17,50

Exemplar estimado.

02/02/18

Prémio Camões 2017

Prémio Camões 2017 foi atribuído a Manuel Alegre


As mãos
 
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

 Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

08/06/17

Parabéns, Manuel Alegre!

Manuel Alegre vence Prémio Camões 2017 



 As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

 
 

23/03/15




Alegre, Manuel - Praça da Canção - 2.ª edição. Lisboa, Editora Ulisseia, S/d. Prefácio de Mário Sacramento. In-8.º; de 155-II págs. Orientação gráfica de Espiga Pinto. 
Br. € 20,00

Colecção «Poesia e Ensaio», 18.
Exemplar estimado.

15/04/14





Alegre, Manuel - Jornada de África - (Romance de amor e morte de Alferes Sebastião). Lisboa, Publicações Dom Quixote/Círculo de Leitores, 1989. In-8.º; de 242 págs. Brochado. € 20,00 

1.ª Edição. 

Exemplar estimado.

05/03/14





Alegre, Manuel - Livro do Português Errante - poesia. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001. In-8.º; de 84-II págs. Br. € 17,50

1.ª Edição.

Exemplar estimado.

03/07/12




Alegre, Manuel - Chegar Aqui - Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1984. In-8.º; de VIII-II-85-I págs. Br. € 20,00

1.ª Edição.

Exemplar estimado.