25/04/26


LIBERDADE

O poema é
A liberdade

Um poema não se programa
Porém, a disciplina
- Sílaba por sílaba -
O acompanha

Sílaba por sílaba
O poema emerge
- Como se os deuses o dessem
O fazemos.

           Sophia de Mello Breyner

In Na Liberdade. Antologia Poética. Peso da Régia, Garça Editores, 2004, p. 263.


DE ABRIL OU NÃO

Se alegria houve quem a lembra -
talvez fosse o primeiro verso
do soneto esquecido no blusão de ganga
a lavandaria fechada
ao domingo um feriado destes

                                        António Barbedo

In Na Liberdade. Antologia Poética. Peso da Régia, Garça Editores, 2004, p. 35.

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