Tu, a quem a vida pouco deu
que deste o nada que foi teu
em gestos desmedidos...
Tu, a quem ninguém estendeu a mão
e mendigas o pão dos teus sentidos
homem só, meu irmão!
Tu, que andas em busca da verdade
e só encontras falsidade
em cada sentimento
inventa, inventa amigo uma canção
que dure para além deste momento,
homem só, meu irmão!
Tu, que nesta vida te perdeste
e nunca a mitos te vendeste
– dura solidão –
faz dessa solidão teu chão sagrado,
agarra bem teu leme ou teu arado,
homem só, meu irmão!
Luís Goes
In 25 Poemas de Abril, Junta de Freguesia da Penha de França, Lisboa, 1999, p. 40.

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