21/03/20

Condição

Constrói ao menos
qualquer coisa efémera ....
Pois mais não podes ser,
sê ao menos efémero.

Grava os passos na areia,
desenha sobre a estrada
teu vulto.
É melhor do que nada.

A desfazer-te o rastro
virá o Mar, é certo.
Vira, é certo, a Noite
beber a tua sombra.

Efémero? Serás ...
Mas presente
no Mar, eternamente;
na Noite, para sempre.

in Sebastião da Gama, Campo Aberto, 1967, p. 89

5 comentários:

  1. Muito bonito! Muito bem escolhido!

    Pois, hoje foi Dia Mundial da Poesia...não me lembrei.

    Beijinhos, continuação de bom fim-de-semana:))

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    1. Isabel,
      Um pouco de poesia para nos trazer algum colorido aos dias que andam cinzentos!
      Bom domingo.:))

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    2. Talvez não sejam os dias que andam cinzentos, mas sim nós!

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  2. Gostei muito Cláudia. Até porque não posso ir ver o mar. Não se pode passear de carro!!! Acho parvo. Assim, visualizo a espuma a lavar as palavras e a levá-las para sempre.
    Beijinhos. :))

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    1. Ana,
      Caso fosse permitido andar de carro para passear, já imaginou como estariam as ruas? Repletas de pessoas... Concordo com a medida!
      Beijinhos e cuidado!

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