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25/04/26


LIBERDADE

O poema é
A liberdade

Um poema não se programa
Porém, a disciplina
- Sílaba por sílaba -
O acompanha

Sílaba por sílaba
O poema emerge
- Como se os deuses o dessem
O fazemos.

           Sophia de Mello Breyner

In Na Liberdade. Antologia Poética. Peso da Régia, Garça Editores, 2004, p. 263.


DE ABRIL OU NÃO

Se alegria houve quem a lembra -
talvez fosse o primeiro verso
do soneto esquecido no blusão de ganga
a lavandaria fechada
ao domingo um feriado destes

                                        António Barbedo

In Na Liberdade. Antologia Poética. Peso da Régia, Garça Editores, 2004, p. 35.

14/01/26

                                                        (cortesia do google)

Rua de Santa Catarina

Senta-se num lugar de tormento
apaziguado. Não se distingue a face. Só
a túnica, as sandálias, o crânio
rapado. Desenhos espalham-se
pelo pavimento no caminho do sol.
São casas vistas do alto, telhados, polígonos
brancos. Com manchas. Sangue seco.

António Barbedo, O Simulador de Voo. Porto. Campo das Letras, 1998, p. 46.

24/10/16



 
Barbedo, António - Arca de Água - Poesia. Porto, Editora Limiar, 1995. In-8.º; de 65-VII págs. Capa de Armando Alves.
Br. € 12,50

Colecção «Os Olhos e a Memória», 69.

Exemplar estimado.