12/07/17

Sol de Mendigo

Olhai o vagabundo que nada tem
e leva o sol na algibeira!
Quando a noite vem
pendura o Sol à beira de um valado
e dorme toda a noite à soalheira…

Pela manhã acorda tonto de luz.
Vai ao povoado
e grita:
- Quem me roubou o sol que vai tão alto?
E uns senhores muito sérios
rosnam:
- Que grande bebedeira!

E só à noite se cala o pobre,
Atira-se para o lado,
dorme, dorme…

E toda a noite o sol o cobre…

Manuel da Fonseca, E o Céu tão baixo, Évora, 1999, p. 13

5 comentários:

Isabel disse...

Um poema tão bonito!

Um beijinho e continuação de boa semana:)

Cláudia Ribeiro disse...

Obrigada, Isabel!
Este é um dos poemas, dos vários que constam no livro que
pode ver mais abaixo...
Um beijinho.:)

bea disse...

e eu a pensar que o Paco Bandeira tinha escrito uma coisa de jeito...

Cláudia Ribeiro disse...

Bea,
Esta antologia com poemas sobre o Alentejo é muito bonita!
Aqui está o exemplo!

bea disse...

Ao Alentejo salva-me senti-lo, que pouco o conheço.