27/08/12

Ribeiro Couto (1898-1963)

A MOÇA DA ESTAÇÃOZINHA POBRE

Eu amo aquela estaçãozinha sossegada,
Aquela estaçãozinha anónima que existe
Longe, onde só se uma breve parada...
Na casa da estação, que é pequena e caiada,
Mora, a se estiolar, uma menina triste.

À chegada do trem, mal erguendo a cortina,
Ela espia por trás da vidraça que a encobre.
Muita gente do trem para fora se inclina
E olha curiosamente o olho da menina,
Tão anónima quanto a estaçãozinha pobre.

O trem parte... Ficou na distância, esquecida,
A estaçãozinha... e a moça triste da janela...
Mas vai comigo uma lembrança dolorida...
Quem sabe se a mulher esperada na vida
Não era aquela da estação, não era aquela,

Aquela que ficou lá para trás, perdida?


Couto (Ribeiro), Dia Longo, Portugália Editora, 1944, p. 48-49.

4 comentários:

Manuel Poppe disse...

Uma bela poesia de um escritor admirável! Obrigado, Cláudia!

Cláudia Ribeiro disse...

É muito bonita, não é, Manuel Poppe?
Ribeiro Couto tem poesias magníficas!
E, é um poeta tão esquecido!...

ana disse...

Cláudia,
Muito bonito o poema. Não conheço este poeta.
Obrigada! :)
Beijinho.

Cláudia Ribeiro disse...

Ana, Ribeiro Couto merece ser lido.
Pode ser que coloque aqui mais algum poema dele.
Um beijinho.:))