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12/04/26

Diogo Ramada Curto (1959-2026)


O historiador, professor catedrático e director da Biblioteca Nacional desde 2024, faleceu ontem, em Lisboa, aos 66 anos.

Diogo Sassetti Ramada Curto foi uma voz polemista da historiografia portuguesa.
Nascido em Lisboa a 22 de abril de 1959, licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde viria a doutorar-se em Sociologia Histórica e a tornar-se professor catedrático. Foi discípulo de Vitorino Magalhães Godinho, um das referências das ciências sociais no século XX.

Passou pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, foi professor visitante em Yale, na Universidade de São Paulo, e ocupou durante oito anos a Cátedra Vasco da Gama em História da Expansão Europeia no Instituto Universitário Europeu de Florença.

Fundou e dirigiu durante anos a colecção "Memória e Sociedade" da Difel, onde introduziu no mercado português dezenas de títulos fundamentais das ciências sociais internacionais. Fez o mesmo, mais tarde, na colecção "História e Sociedade" das Edições 70. (Ler mais)

Mais um grande vulto da nossa cultura que partiu demasiado cedo.

2 comentários:

  1. Neste dia em que, curiosamente, terá lugar um "duelo" televisivo, em torno da sensível temática da FALSIFICAÇÃO da nossa História Contemporânea, sentimos especial saudade de Diogo RAMADA CURTO (Lisboa, 22.4.1959 - Lisboa, 11.4.2026), reconhecido pelos seus rigorosos métodos de labor historiográfico.

    Um legado patente em múltiplos trabalhos, entre os quais vale a penas destacar, por exemplo, "La Recherche en Histoire du Portugal" (Paris, Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, 1989), "Bibliografia da História do Livro" (BNP, 2005), "Para Que Serve a História?" (Tinta da China, 2013), "O Colonialismo Português em África: De Livingstone a Luandino" (Ed. 70, 2020).

    É, particularmente, digno de registo o papel decisivo do distinto docente e investigador, que foi também prestigioso Director da Biblioteca Nacional, na edição portuguesa (Ed. 70, 2025) de "Marc Bloch, os 'Annales' e o Ofício de Historiador" (título original: "Apologie pour l'Histoire ou le Métier d'Historien"), onde sobressaem as suas brilhantes Notas Introdutórias.

    Discípulo de Mestres como, entre outros, Vitorino MAGALHÃES GODINHO, Diogo RAMADA CURTO era, nas palavras de Francisco BETHENCOURT ["PÚBLICO" digital, de ontem], "um historiador extremamente inovador que cultivou um género pouco comum, o ensaísmo, onde cruzava uma enorme erudição, baseada em conhecimento profundo de arquivos e bibliotecas, com uma leitura interdisciplinar voraz de obras decisivas em diferentes áreas das ciências sociais e humanas".

    Nada disto tira, evidentemente, vivo interesse a uma "vertente" menos conhecida no conjunto da sua Obra, na qualidade de cronista. A este respeito, releio um dos seus inconfundíveis artigos, publicados no tão conhecido periódico Luso-Luxemburguês "CONTACTO" [edição "online" de 18.8.2023], sobre a ilustre Figura de José Pereira [de] Sampaio, mais conhecido como SAMPAIO BRUNO (1857-1915), no contexto da "cultura intelectual do Porto":

    "Apesar das suas ideias republicanas, Sampaio Bruno foi nomeado director da Biblioteca Pública Municipal do Porto em 1909, tendo-se ali mantido ao serviço até à morte. No exercício desse cargo, explorou e tirou partido da sua erudição, conforme ficou visível na sua criação da 'Colecção de Manuscritos Inéditos agora dados à Estampa' (1910-19019) daquela biblioteca. Foi nesse âmbito que publicou um dos textos inéditos de maior relevância de inícios do século XVII, atribuído ao jurista Tomé Pinheiro da Veiga - a 'Fastigimia' ou 'Fastigínia'."

    Ainda a tal propósito, reencontro uma curiosíssima referência, inserta nas págs. 35 e 36 do precioso volume de Luís CABRA (org. e textos), relacionado com a histórica BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL Portuense [Rua D. João IV (Jardim de S. Lázaro)] e a memorável "EXPOSIÇÃO [Porto, 1984] no 150.º Aniversário da sua Fundação, 1833-1983"; e, em particular, "o resultado mais significativo do trabalho [de] Direcção de Sampaio Bruno, 1909-1915", que "é, sem sombra de dúvida, a actividade editorial"...

    Diogo RAMADA CURTO deixou-nos demasiado cedo!!!... Honra à sua memória!



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  2. É caso para (re)dizer: "o seu a seu dono"!... Trata-se, obviamente, do (muito) precioso volume de LUÍS CABRAL, incansável dinamizador da Exposição comemorativa dos 150 Anos da BPMP... MIL DESCULPAS pelo lapso!!!...

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